NEVE DE FARINHA

REFLEXÕES SOBRE UM ROMANCE DE MODESTO CARONE:

RESUMO DE ANA

 

Thereza Cristina L. V. Alves da Cunha – UFRJ

 

Abordar Outrem é por em questão a minha liberdade, a minha espontaneidade. Chama-se ética a esta impugnação da minha espontaneidade, da minha liberdade, pela presença de Outrem.

Levinas

 

If a person works only for himself he can perhaps be a famous scholar, a great wise man, a distinguished poet, but never a complete, a genuinely great man.

Marx

 

E com isso começou a se devotar ao bem dela e a conceder a ela prazeres, como se mima uma menina abandonada, ignorando quase a sua própria carne.

 E justamente por isso teve prazer.

Amós Oz

 

Sumo de Ana

 

O romance de Modesto Carone, Resumo de Ana , é mais fotografia do que síntese de vida de uma personagem. Mas é fotografia que ilumina menos a personagem do que o mundo em que ela vive. É, portanto, muito mais, sumário de uma sociedade em que “crianças trabalham de dez a quatorze horas numa fábrica costurando sacos de café (Carone, 50), do que sumário das desventuras de uma mulher. A narradora não devassa a vida de Ana – ela não se dá essa liberdade – mas escancela a moradia dos prepotentes.

Nesse sentido, o título dado por Modesto Carone poderia ser considerado uma etiqueta falsa. O romance é mais “sumo de Ana”, “sumo de Ciro”, “sumo de Lazinha” (filhos de Ana) do que histórias de vida contadas em poucas palavras. Como o sumo que esprememos das frutas, sua força de trabalho, seu salário, sua resistência, são retirados até a última gota. Patrões, senhorios, logistas, pehoristas – movidos por uma liberdade para a qual não teria maior escândalo do que descobrir-se finita – afirmam sua força, seu domínio sobre as coisas, sem justificá-los.

Segundo Emmanuel Levinas, essa liberdade tem de justificar-se pois reduzida a ela própria cumpre-se no arbitrário: “A liberdade não se apresentará a si própria como uma vergonha para si? E, reduzida a si, como usurpação? A liberdade não se justifica pela liberdade.” Abordar o Outro, para esse autor, é por em questão a minha liberdade, a minha espontaneidade de vivente. Minha leitura do Resumo de Modesto Carone foi norteada pelos pressupostos éticos de Emmanuel Levinas.

As formulações teóricas de Levinas, em sua obra mais importante, Totalidade e Infinito , também colocam em questão o conhecimento, no que diz respeito ao Outro. Para Levinas o Outro é Transcendente e não pode ser subsumido sob uma das categorias do “Eu”. No entanto, é preciso dizer, logo, que trata-se aí de uma transcendência que vem ao nosso encontro: transcendência que consiste em solicitar-nos no rosto do pobre, do desvalido – no rosto da viúva, do órfão, do estrangeiro e do proletário. Para este autor, o conhecimento seria a supressão do Outro pela captação, pela tomada ou pela visão que capta, antes mesmo da captação. Em oposição a uma relação fundada no conhecimento, ele apresenta uma relação fundada no “desejo metafísico”, que é desejo de infinito e não de totalidade.

Dou a palavra ao autor de Totalidade e Infinito :

 

Colocar o transcendente como estranho e pobre é impedir a relação metafísica com Deus e se realizar na ignorância dos homens e das coisas. O ateísmo do metafísico significa positivamente que a nossa relação com o Metafísico [com o Outro] é um comportamento ético e não uma teologia. Uma relação com o Transcendente – livre, no entanto, de toda a dominação do Transcendente – é uma relação social (Levinas, 64).

 

O sujeito, para Levinas, é aquele que abre suas portas ao Outro – “Reconhecer Outrem é dar”.

Desse modo, o romance de Modesto Carone apresenta-se como defesa de uma subjetividade fundada no acolhimento do Outro, na medida em que põe em questão uma sociedade e um sujeito que se constituem pelo ato de “fechar suas portas ao Outro”. O Resumo de Modesto Carone tematiza um mundo em que o Outro é levado não apenas a desempenhar papéis em que já não se encontra e a trair seus compromissos, mas a trair sua própria substância. Traição esta, que o leva a cometer atos que vão destruir toda a possibilidade de ato. Ana trairá seus compromissos e a si mesma: destruirá toda a possibilidade de ir em frente. Ela, cujo desejo de beleza e vontade de viver pareciam poder enfrentar qualquer obstáculo, acaba quebrada, ferida.

Órfã de pai e mãe aos cinco anos de idade, vai trabalhar na casa de uma família interessada em criá-la. Apesar do trabalho pesado – sem folga aos Domingos – era uma criança cheia de vida. Na adolescência, continuou determinada e ativa: “os relatos a seu respeito apontam para a persistência de uma alegria quase incompatível com as condições de sua existência.” Já casada e mãe de família (após ter perdido quatro filhos) conservou um ímpeto de animação que a fazia ir em frente, apesar da rudeza e dos ciúmes do marido, e da inveja dos familiares e vizinhos que julgavam sua sensibilidade, seu gosto pela ópera e pela elegância como frivolidade.

A melancolia, a passividade, o cansaço, a traição (Ana trai a si mesma), só se manifestaram mais tarde. Teriam os desgostos e as injustiças sofridos ao longo de uma vida, sido re-significados pelas decepções da vida adulta? Teriam sido os espancamentos sofridos por Ana – o marido a surrava nas cenas de ciúme – a “gota d’água”, para uma vida mal- tratada, explorada, tão precocemente? Quando foi que Ana perdeu a esperança? “Voilá cette passivité”, diz Levinas, “quand il n’y a plus d’espoir (Le Temps et L’Autre, 60)”.

No entanto, acredito que a “única fotografia” de Ana apresente a imagem de uma heroína. Mesmo devastada pelo alcoolismo e desenganada – na fase final de uma tuberculose intestinal que não deixava qualquer esperança de cura – nos momentos em que ainda estava lúcida, “narrava com uma satisfação muito visível” , episódios de sua infância e juventude, descrevendo os pormenores de sua vida. Narrar era a última chance de Ana. “L’heros”, diz Levinas, “est celui qui aperçoit toujours une dernière chance (Le Temps, 60)”.

Não se trata, aqui, como já foi dito, de conhecer mais uma heroína. Pelo contrário, o rosto de Ana põe em questão o sujeito do conhecimento. É antiga a idéia de que para conhecer algo é preciso romper as camadas ou os véus que mascaram a realidade, o “em si”, ou seja, a essência dos seres. Dos gregos até nós, deu-se o hábito de “cavar” para encontrar a verdade, a origem, a causa: agrada-nos todo pensamento que perfura, que devassa.

É igualmente antiga a idéia de que as coisas devem ter lugar numa ordem, numa totalidade que é a própria lógica. A filosofia clássica prende-se à idéia de que tudo o que existe pode vir a ter lugar num mundo. Possuir, conhecer, iluminar, capturar, englobar tudo e todos num sistema – numa totalidade – são sinônimos de poder.

Quanto mais profunda e penetrante nossa compreensão, assim dizem, mais afastados estaríamos da aparência e do engano e mais perto da realidade e do Outro. Todo “além” da totalidade e da experiência objetiva, tudo que extravasa o pensamento, argumentam, será revelado, desvendado num futuro, será incorporado e fará sentido no desdobramento da história.

Adotar o lema de Emmanuel Levinas tem como efeito substituir as metáforas de profundidade e de dominação, de totalização e de finitude, por metáforas de amplitude e de vassalagem, de infinito e de diferença radical.

O saber, ou a teoria, significa, para este autor, uma relação tal com o Outro que o ser cognoscente deixa o ser conhecido manifestar-se, respeitando sua alteridade e sem o marcar, seja no que for, pela relação de conhecimento. O Outro, segundo os pressupostos éticos de Levinas, não é meu objeto, não é meu tema; é meu interlocutor.

Em oposição a um pensamento que se identifica com a substituição do interlocutor pelo tema, Levinas inverte a direção da crítica – ou da filosofia. Faz da presença do Outro (da relação face-a-face) a condição da manifestação do mundo, fora do egoísmo do “Eu”. Para conhecer algo, fora do Império do Mesmo, é preciso ouvir o Outro. Aqui, tento ouvir Ana através, não de seu relato, mas de seu retrato, ou melhor, de seu Rosto.

Amplio a minúscula fotografia – a única que restou dos tempos em que já era casada e mãe de família. Dou a ela tons sépia. Imersa num colorido de tempestade e de eclipse, está Ana: de cabelo apanhado atrás, dentes brancos à mostra e as mãos apoiadas na cintura fina. Agora, na expressão de Ana, em vez da inquietação percebida pela narradora – “inquietação que a vivência da orfandade e o trabalho compulsório não conseguiram embotar”- o olhar de Ana trai uma falta de esperança, uma passividade. Ninguém irá salvar Ana da tempestade.

Segundo Emmanuel Levinas, a apresentação do rosto, ou a expressão, não desvela um mundo interior, previamente fechado, acrescentando assim uma nova região a compreender ou a captar. Por essa razão, quando digo que o olhar de Ana trai uma falta de esperança, uma passividade, não me refiro ao mundo interior de Ana – não se trata, aqui, de uma psicologia da personagem. A falta de esperança de Ana aponta, não para uma interioridade, mas para o mundo exterior – mundo no qual temos, ou não, uma casa, um trabalho, posses. Assim sendo, Ana manifesta-se no olhar – na expressão – ao falar do mundo e não de si. O rosto de Ana coloca nosso mundo em questão.

A presença do rosto, diz Levinas, não se cataloga entre outras manifestações com significado. O rosto é sempre o rosto do Outro, significante que é significante em si, sem referência a nenhum outro significante. A aproximação desse significante, ensina Levinas, consiste em solicitar-nos pela sua miséria, no rosto do estrangeiro, da viúva, do órfão e do proletário. Para o autor, o Outro é o significante que não tem lugar na totalidade: ele não é um mero objeto que pode ser subsumido sob uma das minhas categorias, ocupando um lugar no meu mundo – em um sistema, ou, na totalidade.

Portanto, reconhecer Outrem não é como desvelar uma coisa ou iluminá-la. A nudez do rosto – de Outrem – não é o que se oferece a mim porque eu o desvelo. Quando Outrem se volta para mim, é isso a própria nudez de seu rosto. Nas palavras de Levinas: “A nudez do seu rosto prolonga-se na nudez do corpo que tem frio e que tem vergonha da sua nudez.... A nudez do rosto é penúria. Reconhecer Outrem é reconhecer uma fome. Nenhum rosto pode ser abordado de mãos vazias (Levinas,62).”

Deste modo, reconhecer Outrem é abordá-lo através do mundo das coisas possuídas – Outrem é aquele que questiona minhas posses. A posse, segundo Levinas, é a forma por excelência sob a qual o Outro se torna o Mesmo, tornando-se meu. O “Eu”, no mundo (“em sua casa”-“chez soi”- como diz Levinas), é alguém que pode e que, embora dependente de uma realidade outra, sente-se livre. A possibilidade de possuir, isso é, de suspender a própria alteridade daquilo que só é outro à primeira vista, é a maneira do Mesmo abordar o mundo – maneira do “Eu”, que se constitui pelo egoísmo.

O “Eu”, no mundo, tem os elementos à sua disposição: o elemento fixa-se entre as quatro paredes da casa, acalma-se na posse. O mundo é posse possível e toda a transformação do mundo pelo trabalho, pela indústria, é uma variação do regime de propriedade. Basta andar, fazer, para apoderar-se do que for, para apanhar. Tudo, num certo sentido, está à disposição do “Eu”, mesmo os astros – as estrelas não são o limite.

O domínio sobre o indefinido, pelo trabalho – domínio sobre o elemento, sobre matéria bruta – tem um fim no sentido de alvo, o alvo da necessidade. Quando o trabalhador aborda a resistência enganosa da matéria sem nome, sua ação não pode, rigorosamente, ser considerada violenta, já que ele capta ou arranca, amassa ou tritura, o que não tem rosto.

Se é assim, então poderíamos nos perguntar como é que o “Eu” – o Mesmo – produzindo-se frente à barafunda do elemento, como possuidor, ou seja, produzindo-se como egoísmo, poderia entrar em relação com um Outro, sem desde logo o privar de sua alteridade? De que natureza seria essa relação?

Procuro respondê-la, tendo por base a concepção de desejo formulada por Levinas. Trata-se, aqui, de um desejo que o autor denomina de “desejo metafísico”. Movido por esse desejo, o “Eu” poderá abordar o Outro, respeitando sua alteridade. Trata-se, aí, da “relação metafísica”. Relação esta, que não é marcada pelo desejo de posse, de dominação, nem pelo desejo de completude.

 

Sem folga aos Domingos

 

Não tem nada a ver com o desejo metafísico, o interesse de Ernestina por Ana. Durante doze anos, ou seja, de 1892 a 1904, Ana foi menos filha de criação, como se dizia, do que criada de Ernestina Pacheco. A compensação pelo trabalho diário, sem folga aos Domingos, era teto, comida, roupa feita em casa e instrução caseira. Sem escola, sem brinquedos, aos seis anos de idade, Ana trabalhava como adulta, e o serviço era pesado:

 

levantava-se de madrugada, acendia o fogão a lenha, preparava a mesa do café, varria o quintal, enxaguava a roupa numa tina d’água, passava e engomava com ferro a carvão. Para lavar a louça punha-se em pé sobre um caixote de madeira porque não tinha ainda altura suficiente para alcançar a pia (Carone, 17).

 

No entanto, as exigências de Ernestina não pararam por aí. Sem exigência em relação a si, livre para explorar a filha de criação, Ernestina coloca-se numa situação em que não é julgada – como se estivesse sozinha. “Socialidade primeira”, diz Levinas, “a relação social está no rigor da justiça que me julga, e não no amor que me desculpa. Julgamento esse, que não me vem de um Neutro, mas da relação face-a-face (Levinas,284).” Mas Ana não julga: para Ernestina ela é apenas força de trabalho – não é o outro como Outrem, aquele que interroga um egoísmo.

Assim, livre de julgamento, Ernestina logo aumenta o número de tarefas de Ana. A menina tem “sumo” suficiente para a “sede” da mãe de criação. Vejamos o trecho do romance, no qual são enumerados os novos encargos de Ana:

 

Um pouco mais tarde, depois de adestrar melhor a cria, a patroa também a incumbiu não só de cuidar de uma sobrinha doente, de dois ou três anos, mas igualmente de torrar café, moê-lo no pilão e ir vendê-lo aos familiares de Júlio Prestes, para os quais Ana já na época lavava e engomava roupa: os rendimentos pelos serviços prestados iam para os bolsos de Ernestina...(Carone,17).

 

Ernestina, digamos assim, não distingue o material do espiritual, não se abre ao desejo. Segundo Levinas, tendo reconhecido suas necessidades como necessidades materiais, isto é, como capaz de se satisfazer, o Eu pode voltar-se para aquilo que não lhe falta. Pode voltar-se para o Outro. Assim como a pensamento freudiano, a teoria de Levinas faz diferença entre o desejo e a necessidade: “Note-se ainda a diferença entre necessidade e desejo. Na necessidade, posso morder na realidade e satisfazer-me, assimilar o outro. No desejo, não se morde no ser, não há saciedade, mas futuro sem balizas perante mim (Levinas, 102).”

O desejo – desejo metafísico, como diz Levinas – tende para uma coisa inteiramente diversa, para o absolutamente outro. Se, na análise vulgar do desejo, é a necessidade que encontramos em sua base, isso se dá, porque o desejo habitualmente interpretado marcaria um ser indigente e incompleto ou decaído de sua antiga grandeza. Dentro dessa concepção, o ser desejante coincidiria com a consciência do que foi perdido e seria essencialmente nostalgia e saudade.

Pelo contrário, para Levinas, a melancolia ou tristeza causada pela saudade de sua terra, de seu passado ou de um lugar, nada tem a ver com o desejo. Vejamos suas palavras:

 

O desejo metafísico não aspira ao retorno, porque é desejo de uma terra onde de modo nenhum nascemos. De uma terra estranha a toda a natureza, que não foi nossa pátria e para onde nunca iremos. O desejo metafísico não assenta em nenhum parentesco prévio; é desejo que não podemos satisfazer. ..... O desejo metafísico tem uma outra intenção – deseja o que está além de tudo o que pode simplesmente completá-lo: o Desejado não o cumula [não o preenche] , antes lhe abre o apetite (Levinas, 22).

 

Se a lição de Sócrates foi: nada receber de Outrem a não ser o que já está em mim, como se desde a eternidade, eu já possuísse o que me vem de fora, para Levinas, ao contrário, o ensinamento não se reduz à maiêutica (ou, arte de partejar); o ensinamento vem do exterior e traz-me mais do que eu contenho. Só o rosto pode ensinar: o Resumo de Carone é ensinamento de Ana.

Dissemos , mais atrás, que o Resumo de Carone tematiza um mundo em que o Outro é levado não apenas a desempenhar papéis em que já não se encontra e a trair seus compromissos, mas a trair sua própria substância. Traição esta, que o leva a cometer atos que vão destruir toda possibilidade de ato. É isso o que a única fotografia de Ana, agora em tons sépia, nos ensina, na medida em que faz ver um mundo onde o Outro é, desde muito cedo, destruído. A infância de Ana, assim como a infância de seus filhos e de seus netos, é reduzida à força de trabalho.

A vida dos filhos e dos netos de Ana não foi amena: todos eles foram levados, não apenas a oferecer todo o seu sumo, mas a trair sua própria substância. Como Ana, todos eles conheceram muito cedo a rude rotina do trabalho compulsório.

 

 

Conclusão: Mais uma fotografia

 

Dissemos, bem no início desse trabalho, que a fotografia de Ana – na qual aparece de cabelo apanhado atrás, dentes brancos à mostra e as mãos apoiadas na cintura – ilumina menos a personagem do que o mundo no qual ela viveu.

Construímos agora, mais uma fotografia, na qual Ciro aparece com um traje feito pela mulher, envelhecido, os dentes já amarelos pela nicotina, mas ainda trazendo sob as pálpebras cheias de ruga o mesmo olhar sem malícia.

Estão ao seu lado, as filhas, vestidas de noiva. Como na única fotografia da avó, o sorriso das netas, talvez ilumine menos o mundo interior das noivas – casaram-se as duas, no mesmo dia, numa noite de São João – do que as modestas construções erguidas pelos noivos (ambos pedreiros), num terreno no alto de uma colina, situada nos limites da cidade, de onde se vê as chaminés pretas das fábricas.

Talvez ilumine mais um cotidiano nada ameno, transcorrido nos escritórios em que as moças trabalham, do que o olhar inquieto das “meninas” que um dia acompanharam encantadas o futuro cheio de brilho que o pai construía para elas, enquanto inventava histórias a propósito das pessoas que passavam pela sua janela.

O Resumo de Carone ilumina mais a destruição que vem de fora, do que a demolição interior dos sonhos das personagens. Ilumina mais o estridor dos impérios industriais – o apito vindo da sede da Votorantin, por exemplo, no momento em que Ciro morre nos braços da mulher – do que a música das óperas que insiste nas lembranças de uma mulher.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

CARONE, Modesto. Resumo de Ana. São Paulo: Companhia das Letras, 1998

LEVINAS, Emmanuel. Totalidade e Infinito. Lisboa: Edições70, 1980.

LEVINAS, Emmanuel. Le Temps et L’Autre.Paris: Presses Universitaires de France, 1994.